
A capacidade que a música tem de conduzir sentimentos
pode ser a base de um dos seus maiores benefícios. Na
maioria das culturas, cantar, tocar, dançar e acompanhar
as apresentações é quase sempre um evento
comunitário.
Mesmo em sociedades ocidentais que, de maneira única,
diferenciam os músicos dos ouvintes, as pessoas entoam
hinos em rituais religiosos, dançam em festas e boates,
embalam os filhos ao som de cantigas de ninar,
participam
de corais e desde cedo as crianças aprendem a
cantarolar
Parabéns a você nos aniversários. A popularidade de tais
rituais sugere que a música confere coesão social, talvez
por criar conexões empáticas entre os membros de um
grupo.
Estudos mostram também que quando as pessoas ouvem
música, as regiões motoras do cérebro se ativam –
provavelmente com o propósito de processar o ritmo.
Esse processo inclui regiões pré-motoras, que preparam
uma pessoa para a ação, e o cerebelo, que coordena o
movimento físico.
Alguns pesquisadores
acreditam que
parte do poder musical é resultado de sua tendência a
sincronizar e ecoar nossas ações. “Com os equipamentos
disponíveis hoje já é possível enxergar como ritmo e ação
ressoam no sistema nervoso; todo som é produzido por
movimento, quando você ouve qualquer som algo está
sendo movido”, diz o neuropsicólogo Robert Zatorre, da
Universidade McGill.
De fato, há um passo
muito
pequeno
entre o andar, o respirar e as batidas do coração – sons
ritmados naturais, não intrinsecamente musicais – e
manter propositalmente um intervalo ou caminhar na
mesma velocidade que outra pessoa. “Quando escutamos
um padrão, inconscientemente organizamos os músculos
para reproduzi-lo. Dessa maneira, o ritmo também pode
funcionar como uma ‘cola social’ que favorece a ligação
física”, afirma Zatorre.
Karen Schrock é editora da Scientific American
Mind.
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